quarta-feira, 27 de abril de 2011

A economia no mundo

BRASÍLIA, 27 de abril (Reuters) - O crédito desacelerou no país em março frente a fevereiro, seguindo tendência sazonal, e o Banco Central afirmou que o desempenho dos financiamentos sofreu moderação e reflete medidas adotadas pelo governo.
O crédito aumentou 1 por cento no mês passado, chegando a 46,4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ou 1,752 trilhão de reais. No trimestre, o crédito cresceu 2,7 por cento e, em doze meses, 20,7 por cento, mostraram dados do BC nesta quarta-feira.
"A evolução do crédito bancário no primeiro trimestre do ano, em linha com a acomodação da atividade econômica, foi condicionada pelo relativo arrefecimento no ritmo de expansão das carteiras de recursos livres, o qual refletiu, entre outros fatores, as medidas macroprudenciais adotadas recentemente", afirmou o BC em nota, destacando uma menor demanda por crédito para aquisição de veículos.
O BC passou a exigir mais capital dos bancos para a concessão de financiamento de longo prazo à pessoa física em dezembro, em um esforço para conter o consumo em meio à alta da inflação. Este ano, a taxa básica de juros já foi elevada em 1,25 ponto, a 12 por cento ao ano, elevando o custo dos empréstimos.
Em 2010, o crédito cresceu 20,5 por cento, contribuindo para alimentar a demanda. No mês passado, o presidente do BC, Alexandre Tombini, alertou que uma alta acima de 15 por cento não seria compatível com o atual momento da economia. A projeção do BC é de crescimento de 13 por cento este ano.
As operações com recursos livres, cujas taxas não são fixadas por programas governamentais, aumentaram 1,1 por cento no mês passado, após uma alta de 1,4 por cento em fevereiro, enquanto o crédito com recursos direcionados teve alta de 0,9 por cento. Em fevereiro, o estoque total havia crescido 1,3 por cento.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, afirmou que parte do arrefecimento do crédito pode ser atribuída a uma tendência sazonal, mas que "sem dúvida" os financiamentos já crescem em ritmo mais moderado.
ABRIL
Dados preliminares para o desempenho de parcela do crédito livre em abril (até o dia 12) mostraram um crescimento de 1,2 por cento do estoque de crédito, na comparação com o mesmo período de março, e queda de 6,9 por cento nas concessões, informou Maciel.
Ainda em março, a média diária das concessões de crédito às pessoas físicas para a compra de veículos caiu 6,5 por cento, acumulando queda de 22,7 por cento no trimestre.
Já o financiamento habitacional, que não foi afetado por medida macroprudencial, atingiu 150 bilhões de reais em março, ou 4 por cento do PIB, com alta de 49,6 por cento em 12 meses. Há um ano, essa classe de crédito representava 3,1 por cento do
PIB.
O BC informou, ainda, que a inadimplência ficou em 4,7 por cento em março, estável ante o patamar de fevereiro. O spread bancário aumentou 0,7 ponto, a 26,8 pontos percentuais, contribuindo para um aumento da taxa média de juros, que foi a 39 por cento, contra 38,1 por cento em fevereiro.
(Com reportagem de Raymond Collit)

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